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Entrevista exclusiva com André Gazolla

Atualizado: Jan 29



André Gazolla é um DJ para públicos exigentes, referência no cenário underground, pelo seu estilo próprio, André possui 10 anos de carreira, tocando nos maiores palcos e festivais do Brasil. Não poderia ser diferente, fugimos do "padrão" de entrevistas, ele falou conosco, "sem cortes", de forma espontânea, sobre sua tour, cenário atual, gigs e aspectos da sua vida pessoal. Confira:

Olá André, primeiramente obrigado por aceitar fazer esse bate-papo. Nesse ano de 2019, você passou por uma tour pelos EUA, como foi a recepção do público com seu som e qual diferença, você enxergou do público americano para o brasileiro?

Muito obrigado pelo convite, achei muito legal as perguntas, realmente fugiu do "padrão" de entrevistas.
Eu passei por uma tour de dois meses, passei por quatro países e fiquei 1 mês nos EUA, em questão ao público de lá, eu fiquei mais com os brasileiros, e pelo fato de morarem nos EUA, senti que eles tem um pouco o ego inflado, então não acabam sendo tão unidos, por isso a cena de lá acaba sendo mais difícil que no Brasil. Os próprios americanos não gostam tanto de música eletrônica, porque a cultura do Hip-Hop é muito presente e viva.
Algumas diferenças que eu reparei dos americanos para os brasileiros é a forma diferente de dançar, cada um dança de um jeito na pista, bem livres, fechando os olho e se entregando inteiramente a música. Outra diferença é a questão de receptividade de um som diferente, os brasileiros se fecham logo e os americanos procuram entender a música.


(reprodução:@andregazolla_)


Com bastante experiência como DJ e Produtor, emplacou tracks por grande labels e atualmente possui sua gravadora a "Pyramid Waves", como está a indústria da música eletrônica na sua visão?

A música eletrônica sempre está em constante evolução, ela está sempre mudando, se a gente não acompanhar, ficaremos para trás e eu falo isso por experiencia própria. Ano passado tentei fazer um negócio muito diferente do que estava rolando, algo muito meu sabe. Acabou que eu fiquei um pouco para trás, eu senti isso...então gente tem que acompanhar o que está acontecendo, e o que está acontecendo é que o underground está pegando muita força aqui no Brasil, o Brazilian Bass deu uma caída, tem gente do comercial tocando som underground, tech house, progressive house, um som mais melódico, então a tendência é melhorar a sonoridade.
A alguns anos atrás a gente só trazia e valorizada gringo, o comercial foi uma porta de entrada para galera conhecer que outros sons, então o underground está crescendo consequetemente. A cena do Brasil está muito quente, mas por causa da crise e impostos, muito dono de festa, média/pequena,está levando prejuízos, não conseguem sobreviver, mas os as festas grandes permanecem ativas, não é uma cena fácil mas é uma cena que está crescendo, e devemos saber aproveitar.


Gazolla, você é um DJ de público exigente, se destacou no começo por suas produções com bastante groove, mas sempre levando a sério a melodia da música, flutuando pelas nuances do melodic techno e house, como você define seu estilo ?

Então eu sempre tentei ir um pouco fora da curva, pensar um pouco fora da caixa, eu não gosto de ser igual, eu gosto de ser diferente, desde pequeno fui assim, não sei mas é coisa minha, e passei isso pra minha música, é dificil definir meu som como um estilo, tipo um gênero: progressivo, tech house, ele tem um pouco de cada que eu absolvo muito nessa experiencia como dj, eu gosto de groove, gosto de percussão, gosto de melodia, mas eu não gosto muito de som melancólico, eu gosto de algo reto, sem subir e nem descer, isso é coisa minha. eu estava experimentando fazer agora uns sons mas diferentes, escrevendo uma letra, um vocal, tentando passar uma mensagem, mesmo que seja subliminar ali na música e ai acho que ficou ficou pesada demais, ficou muito a cara de som de festival, acho que em uma rave a galera pode se assustar um pouquinho, ai to dando uma repaginada de novo, mas sem fugir da identidade, a coisa mais importante que um artista pode ter, é a sua identidade, das pessoas escutarem aquela música e saber que é sua.
Se você reparar minhas produções, é dificil achar alguém aqui no Brasil ou em outro lugar no mundo, que produz a mesma linha, pode ser parecido, mas eu tento criar algo único e é isso que me faz seguir em frente, e uma hora vai acontecer.



O que deseja alcançar através da música nas pessoas?


Por experiência própria, a músicas tem um poder imensurável , ela quebra muitas barreiras, eu falo por mim mesmo , eu não sou ninguém também, eu queria tocar, queria viver disso, eu não tinha nenhuma data, o que que eu fui fazer? fui fazer música, pra chamar atenção das pessoas, pra conseguir tocar, e tinha alguém no outro lado do mundo, tocando minhas musicas, queria que eu fosse lá tocar, eu gosto de levar esperança, sentimento bom, eu quero que a pessoa se conecte comigo, esqueça os problemas, se sinta mais leve, de alma lavada.

Como é seu processo criativo?

Eu gosto de buscar muito inspiração nos lugares que eu viajo, na natureza, eu gosto muito de natureza, em outras músicas, no cotidiano, no comportamento das pessoas, essa é minha fonte de inspiração " a vida", muito mais que artistas, deejays, entendeu? eu gosto de procurar inspiração na vida.
Meu processo criativo na hora que eu to fazendo uma música é como se eu tivesse pintando um quadro, é muito rápido, então as vezes eu faço uma música em quatro a cinco horas, quando estou ali com a criatividade alta, ela simplesmente soa, ela sai assim, sabe? eu não pego uma referência e "falo: "ahh, vou fazer um som igual a esse..." é como se eu tivesse pintando um sentimento meu ali, botando pra fora, e ele está virando música, como se fosse pintando um quadro ou simplesmente ela sai, acho bem legal porque fica bem arte mesmo, sem ficar pensando muito, ou querer seguir um padrão

(reprodução:@andregazolla_)


André tem alguma track que é a mais macante na sua vida? qual seria


acho que cada track marca um momento na nossa vida, é dificíl eu falar uma assim, mas cada período da minha vida tem uma track que eu vou ouvir e vou lembrar, vai ser bom que vou dar risada, eu vou lembrar de bons momentos e lembrar dos momentos ruins também.
Uma que eu gosto muito, e que está alta de novo, é Hungry for the power do Jamie Jones acho essa faixa incrível.





Agora recentemente você se apresentou em mais uma edição do Universo Paralello, com um set incrivel, é possivel escolher a melhor gig que você já tocou?

Universo paralello é incrível mesmo, o que a gente sente ali é indescritível sabe? a experiencia, a energia do lugar. As pessoas perguntam: como foi? e essa pergunta é muito difícil de responder, eu falo" cara vai lá e conhece, depois você tira sua conclusão, é difícil, é intenso, a gente passa uns perrengues mas é muito bom sabe? a gente se desprende de várias coisas, é tudo na intensidade máxima, a energia, gente se sente vivo ao extremo, é muito massa...
É difícil escolher uma gig, a melhor gig que já toquei ,porque cada uma tem sua importância, eu gostei muito de tocar fora do país, porque a gente nunca sabe o que espera por nós, e fui surpreendido, com pistas incríveis. A costa Rica é meu lugar favorito de tocar, fora do Brasil, a energia muito forte, a hora que subir no palco, eu me senti muito pleno, perfeito, a energia estava muito boa..



(reprodução:@andregazolla_)


Quais são suas influências dentro e fora da música?

Minhas influências vem da vida, do meu dia-dia, das pessoas, de outras musicas, sem ser musica eletronica, de vez em quando gente tem que dá uma isolada das redes sociais e de tudo, para buscar inspirações,











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