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Infa Vermelho leva Pernambuco pra pista em "Me Dê", primeira faixa do EP "Vermelho é a Cor Mais Quente"

Coluna Radar: Rafael Infa cruza house, disco, Miami bass e ritmos pernambucanos tradicionais no projeto Infa Vermelho, que acaba de estrear com remix coproduzido por indicado ao Grammy.

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Infa Vermelho leva Pernambuco pra pista em "Me Dê", primeira faixa do EP "Vermelho é a Cor Mais Quente"

Rafael Infa já passou dos vinte anos de estrada na cena musical de Pernambuco: bandas, pistas, festas independentes e a sociedade no Brilho Cultural, espaço dedicado à música alternativa no centro do Recife. Há cerca de dois anos, esse repertório todo ganhou um projeto solo com nome e cara própria: Infa Vermelho.

A proposta cruza house, disco, funk, Miami bass e sonoridades tradicionais de Pernambuco com música brasileira, africana e latina, tudo pensado pra pista. Sobre a mistura, Infa credita a formação ao próprio Recife: "Acho que esse é um dos grandes legados do manguebeat: você sai para ver um show de rock e encontra um maracatu passando na rua."

Infa Vermelho em retrato sob luz vermelha, com brincos e tatuagem no peito.

Infa Vermelho (Rafael Infa). Foto: divulgação/House Mag.

A estreia oficial

Em 14 de maio, Infa Vermelho lançou sua apresentação oficial: o remix de "Me Dê", faixa de 2019 do cantor e compositor Martins, com coprodução de Luccas Maia (indicado ao Grammy) via Selo Estelita em parceria com a Deck Disc. É o primeiro capítulo do EP "Vermelho é a Cor Mais Quente", ainda para sair em 2026.

O que atraiu Infa pra faixa foi a percussão. "A força da percussão, principalmente essa influência de ijexá" foi o que chamou atenção, ele conta, reforçando uma preferência por ritmos percussivos integrados organicamente à música eletrônica, em vez de apenas emprestados dela.

Pista europeia, raiz pernambucana

Em 2025, o projeto rodou Portugal, França e Espanha, além de datas por Casa Natura Musical, Mundo Pensante, o Museu de Arte Moderna da Bahia e o Forte de Fernando de Noronha. Segundo Infa, existe um "interesse muito forte do público europeu pela brasilidade", mas o diferencial do projeto está em não se apoiar no funk mainstream: a base é pernambucana, não genérica.

Ouça Infa Vermelho

Pernambuco continua no radar

Infa Vermelho ainda planeja mais dois ou três singles neste ano, além do EP completo, e já desenvolve um formato ao vivo que mistura performance eletrônica com elementos orgânicos. É esse tipo de projeto que a coluna Radar da P4 quer acompanhar: artistas nordestinos que ainda estão construindo nome fora do circuito mais óbvio, mas que já têm som, discurso e rota internacional formados.

Pra quem cobre música eletrônica brasileira de fora do eixo Rio-São Paulo, Infa Vermelho é um lembrete de que Pernambuco segue sendo um dos estados mais férteis do país em cruzamento sonoro, e que esse cruzamento não precisa perder identidade pra caber na pista.


Fontes: House Mag · Play BPM · Instagram @infavermelho · Spotify