Alok e o disco que quis reflorestar a imaginação
- há 2 dias
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Um dos artistas eletrônicos mais ouvidos do Brasil trocou o hit fácil por um disco feito com mais de 50 músicos de oito povos indígenas. E fez disso um manifesto.
Tem artista que usa o palco pra falar de si mesmo, e tem quem usa o tamanho que construiu pra amplificar quem quase nunca é ouvido. Com "O Futuro É Ancestral", Alok escolheu o segundo caminho, e talvez tenha feito o trabalho mais importante da carreira.
Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar do tamanho do sujeito. Alok é um dos DJs brasileiros mais tocados do mundo, presença constante nos rankings globais e nos maiores festivais do planeta. É o tipo de artista que poderia viver de fórmula: mais um drop, mais um feat pop, mais um hino de férias. Foi justamente com esse capital na mão que ele decidiu apostar em outra coisa.
O disco
Lançado em abril de 2024, "O Futuro É Ancestral" reúne mais de 50 músicos de oito comunidades indígenas brasileiras, que co-criaram cada faixa. O disco mistura sons da natureza, rezos tradicionais, hip-hop e línguas ancestrais, e todo o lucro vai direto pros artistas e comunidades que participaram. Não é trilha exótica pra enfeitar um set. É a coisa no centro.
Não é apenas um projeto musical. É um movimento para reflorestar a imaginação da nossa sociedade. (Alok)
O gesto foi além da música: a UNESCO reconheceu o projeto como ação relevante para a Década Internacional das Línguas Indígenas. Ou seja, uma faixa que começa numa aldeia terminou pautando um debate global sobre preservação cultural. Poucos artistas conseguem construir essa ponte.
Por que isso importa
Existe um momento na carreira de todo grande artista em que a fama deixa de ser destino e vira ferramenta. "O Futuro É Ancestral" é esse momento pro Alok. Em vez de tocar mais alto, ele decidiu escutar, e emprestou o alcance que tem pra vozes que o mercado sempre deixou de fora. Diz muito sobre a maturidade da nossa eletrônica: ela já não quer só imitar o que vem de fora, quer contar a própria história, com a própria voz.
E em Aracaju?
A lição vale pra qualquer pista, inclusive a nossa. Uma noite pode ser só barulho e fumaça, ou pode ser um espaço que significa alguma coisa, que valoriza quem é daqui e trata a cultura local como protagonista, não como pano de fundo. É esse tipo de cena que a P4 quer construir em Aracaju. Confira a agenda e os ingressos.
Fontes: Mixmag, Music-News.
















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