Anyma e a era em que o show virou o artista principal
- 21 de jul.
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Do Afterlife ao Sphere de Las Vegas, Matteo Milleri levou o techno melódico ao tamanho de arena e mudou a régua do que um show eletrônico pode ser.
Imagine um deserto, as pirâmides ao fundo, e um telão gigante onde robôs tocam violoncelo enquanto a batida sobe. Não é ficção científica. É um show do Anyma, e virou uma das imagens mais comentadas da música eletrônica dos últimos anos.
Por trás do nome está Matteo Milleri, metade do duo Tale Of Us e uma das cabeças do Afterlife, o selo e a festa que transformaram o techno melódico numa experiência quase religiosa: escura, emotiva, cinematográfica. Foi ali, nas pistas de festival, que se plantou a semente do que veio depois.
Do side-stage à arena
Em cerca de uma década, o techno melódico saiu dos palcos secundários e chegou ao tamanho de estádio. Em 2025, Anyma se tornou o primeiro artista eletrônico a assumir uma residência no Sphere, a arena esférica de Las Vegas, e ainda tocou diante das pirâmides de Gizé. Dois momentos de virada, em que o gênero furou a bolha e caiu no mainstream.
O capítulo seguinte se chama ÆDEN. Estreou no Coachella e virou turnê mundial, com uma produção que funde ficção científica e mitologia antiga, embrulhando a música numa narrativa própria, com projeções de robôs e uma direção de arte que rivaliza com cinema. Em 2026, ÆDEN vira residência fixa: toda terça, no novo clube [UNVRS], em Ibiza.
Quando o show vira o headliner
É aqui que mora a virada de chave. Por muito tempo, a produção visual foi o apoio da música. No projeto do Anyma, ela é o argumento principal. O clube inteiro do [UNVRS] foi desenhado em torno do espetáculo. Não é a luz que acompanha a faixa, é a faixa que habita um mundo construído pra ela.
O techno melódico não ficou mais alto para caber em lugares maiores. Ficou mais visual.
E, curiosamente, isso não soa como traição ao gênero. O techno melódico sempre teve um DNA cinematográfico, aquele clima de trilha de algo grande prestes a acontecer. Anyma só levou essa vocação às últimas consequências: em vez de tocar mais alto pra preencher espaços maiores, encheu-os de imagem e narrativa.
E em Aracaju?
Pode parecer distante da realidade de uma pista no Nordeste, mas não é. Cada vez que alguém redefine o que um show eletrônico pode ser, a régua sobe pra todo mundo, do Sphere ao clube da esquina. É esse padrão de experiência, de tratar a noite como algo pensado do início ao fim, que a P4 persegue em Aracaju. Confira a agenda e os ingressos.
Fontes: EDM.com, Billboard, Techno Airlines.
















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